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sexta-feira, 20 de abril de 2018

O negócio lucrativo do terror

Por Sheila Sacks 

A revista Forbes, conhecida por suas listas de ricos e famosos, publicou no início do ano uma lista sobre as 10 organizações terroristas mais ricas do mundo. Parece piada de mau gosto, mas a informação é relevante na medida em que desvenda uma face pouco conhecida da estrutura do terror. Ainda assim, a notícia não ganhou espaço na mídia internacional e a repercussão ficou perto de zero.

O preocupante é que três desses grupos terroristas vips estão nas portas do estado de Israel: o movimento xiita libanês Hezbollah, que encabeça a lista, com arrecadação de 1,1 bilhão de dólares; o Hamas, grupo palestino que comanda a Faixa de Gaza, com rendimento anual de 700 milhões de dólares ( terceiro da lista); e a Jihad Islâmica na Palestina, com recursos de 100 milhões de dólares (oitavo da lista). Seus líderes têm mansões luxuosas na Europa e se locomovem em jatinhos particulares.

Com o dinheiro proveniente do narcotráfico, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, falsas organizações assistenciais, negócios imobiliários e o continuado apoio financeiro e logístico do Irã (terceiro maior produtor de petróleo da Opep), os três grupos criminosos têm um denominador comum: o terrorismo contra Israel. Uma fato inegável que a comunidade mundial prefere ignorar.

Completam essa lista vexatória os grupos Talibã (800 milhões de dólares), Al-Qaeda (300 milhões), ISIS ou Estado Islâmico (200 milhões), Partido dos Trabalhadores do Curdistão (180 milhões), Kata’ib Hezbollah (150 milhões), Lashkar-e-Taiba (75 milhões) e Real IRA (50 milhões).

Terrorista é produto final

Sem dúvida causa estranheza que a mídia mundial tenha passado ao largo da informação, se mostrando avarenta em seus espaços em relação à notícia que foi pontualmente divulgada por alguns sites.

É fato que o terrorismo vai muito além da figura individual de quem pratica o ataque. Esta é apenas o produto final de um mecanismo diabólico que promove o ódio, a vingança e o desrespeito à vida humana. Existe toda uma engrenagem, por trás do sujeito que mata, envolvendo logística, propaganda e, principalmente, a captação de recursos, ponto fundamental que requer atenção permanente dos governos democráticos para uma eficaz oposição a esse tormento contemporâneo.

Contudo, a realidade percebível é diferente. Caprichos ideológicos populistas e de mercado interferem continuadamente no combate a esses grupos por parte das diferentes nações que, mesmo padecendo com atentados violentos, esbarram na falta de vontade política de seus governantes no sentido de apontar publicamente os países implicados com o terrorismo e assumir sanções diplomáticas.

Recursos para organizações

Também colaboram para esse ambiente propício a ações violentas a proliferação de instituições formalmente constituídas, de natureza e objetivos diversos, financeiramente acolhidas por recursos difusos e imprecisos que apoiam e propagam narrativas distorcidas da realidade.

São organizações não governamentais (ONGs), pseudossociais e assistenciais que recebem verbas milionárias e que, centradas em dados partidários e sem o devido contraditório, se dispensam do consciente cuidado na averiguação e na veracidade dos fatos, por uma inqualificável lealdade aos seus financiadores.

Um prato cheio para a mídia apressada e parcial que, além de veicular esses falsos enredos, tecem opiniões sociopolíticas acusatórias. Assim sendo, com a informação real subjugada a uma ficção de insinuações, provocações e meias-verdades, fomenta-se o clima de revolta e raiva contra as comunidades judaicas, notadamente, na Europa.

Informações desvirtuadas

Se no momento do ato terrorista o espanto da sociedade e a mobilização policial acontecem sob os holofotes da mídia, em pouco tempo essa agitação recua a níveis toleráveis, abrindo espaço, mais uma vez, para o retorno das simulações e do envenenamento diário e acumulativo das informações desvirtuadas.

No caso específico do estado de Israel, essa tática de desinformação levada a cabo por líderes palestinos e seus aliados tem se revelado producente nos quatro cantos do mundo justamente por conta da participação, voluntária ou acidental, dos órgãos de comunicação. As iniciativas do governo israelense visando desbaratar e conter ações terroristas são sistematicamente condenadas por várias plataformas de comunicação sob a argumentação de que as populações civis são as mais atingidas.

Mas, tratando-se de populações manipuladas e usadas como escudos humanos por suas lideranças polítco-religiosas, ativamente engajadas nos processos dos ataques terroristas - educando, incentivando e guiando suas crianças e seus jovens, filhos e netos, na doutrina do ódio e do confronto violento -, é crível supor que inexiste uma sociedade civil, nos padrões normais, nessas regiões. E é com essa anomalia que as forças de defesa de Israel precisam lidar cotidianamente.
Uma situação complicada e dramática em termos de geopolítica e de estratégia militar e da qual seus adversários tiram proveito mercadológico e político, lançando mão de ardis de marketing e ilícitos de toda a ordem para injetarem fortunas em organizações que, de forma astuciosa ou de modo violento, pregam a destruição do estado de Israel.
Acordo beneficiou Hezbollah
A reportagem da Forbes de Israel – “Hezbollah: a mais rica das organizações terroristas” -  afirma que seis meses após o acordo nuclear do Irã (firmado com os EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha, em 14 de julho de 2015), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) retirou todas as sanções econômicas impostas àquela república islâmica, beneficiando sobejamente o Hezbollah, que começou a ganhar mais recursos e apoio militar de Teerã.
Dos 200 milhões de dólares recebidos anualmente, o grupo terrorista libanês pulou para um orçamento de 1,1 bilhão de dólares. Equipamentos de guerra e de inteligência e todo um sistema que inclui milhares de mísseis e foguetes fornecidos pelo governo iraniano se somam às cifras bilionárias.
Nunca é demais lembrar que a exportação do petróleo corresponde a 80% da renda do Irã e, com o retorno de dezenas de petroleiros ao Estreito de Ormuz, o desbloqueio dos ativos e a reconexão com o sistema bancário mundial, em menos de um ano as exportações voltaram a sua capacidade anterior como as sanções jamais tivessem ocorridas.

Aliado do Irã na guerra civil da Síria, o Hezbollah já enviou, desde 2013, mais de 9 mil combatentes, um terço de seu efetivo, para lutar ao lado do regime de Assad. Em três décadas essa milícia local se transformou em um importante braço militar de Teerã, atuando também no Iraque e no Iêmen.
O general Herzi Halevi, chefe do centro de Inteligência Militar de Israel (Aman), afirma que é fundamental interromper esses enormes fluxos de recursos que fluem dos países para as organizações terroristas. Ele explica que apesar de alguns sucessos pontuais, o mundo ainda não ativou mecanismos internacionais suficientes para cortar o contato entre países e essas corporações criminosas.

domingo, 25 de março de 2018

A pergunta que não quer calar: quem matou Nisman?


Por Sheila Sacks
Em entrevista à TV a cabo CNN en español, o ex-presidente argentino e atual senador Carlos Menem, 87 anos, disse acreditar que o promotor Alberto Nisman não se suicidou e classificou seu assassinato de escandaloso. Foi no programa “Perspectivas”, do jornalista Jonatan Viale, apresentado em fevereiro.
Nisman, de 52 anos, levou um tiro na cabeça, no banheiro de sua casa, em 18 de janeiro de 2015, quatro dias depois de ter denunciado a então presidente Cristina Kirchner e vários funcionários de seu governo de acobertarem as autoridades iranianas acusadas de planejar o atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994, que matou 85 pessoas e deixou 300 feridos.
Na época, Carlos Menem era o presidente do país e a execução do atentado ficou a cargo do grupo xiita libanês Hezbollah, ligado ao Irã e um dos seus braços armados.
O promotor assegurava que o acordo entre Irã e Argentina, selado no governo da presidente Kirchner, em 2013, justamente para esclarecer o atentado, na verdade foi uma farsa, já que importantes autoridades do então governo de Mahmoud Ahmadinejad estavam envolvidas.
Tese de suicídio
 Somente em dezembro de 2017, quase três anos após a morte do promotor, o juiz Julian Ercolini reconheceu que existem provas suficientes para concluir que Nisman foi assassinado. Durante todo esse tempo, a tese de morte duvidosa e suicídio mobilizaram as investigações tanto policiais quanto no âmbito da Justiça.
 A juíza Sandra Arroyo Salgado, que foi casada com o promotor, afirmou recentemente que a morte de Nisman deve ser considerada um crime de lesa-humanidade como foi nominado o atentado à AMIA. Segundo a magistrada, havia um duplo objetivo na morte do promotor: silenciar Nisman (‘porque a única maneira de calá-lo era a morte’) e intimidar juízes, promotores e quem tivesse a coragem de investigar o governo.
Ano passado, acompanhada das duas filhas, a juíza esteve em Israel onde foi recepcionada pelo presidente Reuven Rivli e participou da inauguração de um monumento em memória do promotor argentino. Antes, foi recebida pelo Papa Francisco, em Roma, em um encontro no qual pediu ao sumo pontífice para "continuar orando para encontrar a verdade".
Mas, apesar da repercussão internacional do assassinato e o indiciamento de mais de duas dezenas de envolvidos, atualmente ninguém está preso. No final do ano passado, a Procuradoria argentina pediu uma pena de quatro anos de prisão para Menem por acobertar os iranianos durante o seu mandato.
Em outro processo, o juiz Claudio Bonadio emitiu uma ordem de prisão contra Cristina Kirchner (e o seu ex-chanceler Héctor Timerman, primeiro judeu a chegar ao status de ministro do Exterior) pelo obscuro acordo com o Irã e por “traição à pátria”.
Entretanto, por serem senadores e desfrutarem de imunidade parlamentar, Menem e Cristina não podem ser presos.
Destruição de provas
Ainda em 2010, Carlos Menem foi processado por abuso de autoridade, destruição de provas, falsidade ideológica e obstrução das investigações. No mesmo processo foram incluídos o seu irmão Munir Menem (que foi ex-embaixador na Síria), o juiz federal encarregado do caso, Juan José Galeano, dois policiais responsáveis pelas investigações e dois ex-dirigentes da secretaria de Inteligência (SIDE),
Nisman, promotor do caso, acusou Menem de ter ordenado a ocultação de provas. O irmão do ex-presidente teria transmitido as ordens ao juiz, aos policiais e aos integrantes do SIDE. Segundo Nisman, foram destruídas 54 fitas cassetes que eram consideradas fundamentais para a investigação.
O grupo também foi denunciado por bloquear a investigação da chamada “pista iraniana”, uma das vertentes do processo. Relatório da promotoria incrimina Menem por acobertamento das autoridades iranianas responsáveis pela autoria intelectual e material do atentado, entre elas o ex-presidente Ali Rafsanjani (1989-1997), o ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi e o ex-conselheiro cultural na embaixada de Teerã, em Buenos Aires, Moshen Rabbani.
Em 2002, reportagem do jornal The New York Times obteve o testemunho secreto de um desertor iraniano que fugiu para a Alemanha, identificado como Abdolghassem Mesbahi. Ele garantiu que foram depositados 10 milhões de dólares em uma conta bancária de Menem, na Suiça, para que este isentasse o Irã de qualquer participação no atentado.
Amigo de Menem
Em relação ao envolvimento do empresário sírio-argentino Alberto Kanoore Edul, falecido em 2010, ele era suspeito, assim como seu filho, Alberto Jacinto, de integrar a chamada “conexão local” que participou do ato terrorista.
Amigo de Menem e de Rabbani, o empresário foi apontado como o proprietário da van Renault Trafic, estacionada em frente ao prédio da AMIA, na manhã de 18 de julho de 1994, uma segunda-feira, por volta das 10 horas. O veículo carregado de 300 a 400 quilos de TNT (trinitrotolueno) explodiu em plena via pública, derrubando o edifício de sete andares, que ficou em escombros. 

O prédio recebia obras de reforma e era comum a presença de caminhões no local para a remoção de entulhos. De acordo com o testemunho de Norberto Godoy, empregado da firma de Kanoore Edul, o empresário e o filho se mostraram interessados, dias antes do atentado, na compra de uma caminhoneta. 
O empresário tinha vínculos jamais investigados com Rabbani e segundo o depoimento de Carlos Gardiner, secretário da Câmara de Comércio Árabe-Argentina, Edul transitava no interior da Casa Rosada como fosse um funcionário do staff de Menen.
No julgamento, iniciado em 2015, que culminou com o pedido do Ministério Público de quatro anos de prisão para Menem, outros envolvidos também sofreram pedidos de prisão, entre eles, o ex-juiz encarregado do caso AMIA, Juan José Galeano, (13 anos de prisão), o ex-chefe do Serviço de Inteligência, Hugo Anzorreguy (6 anos), e o ex-líder da DAIA (Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas), Rubén Beraja (1 ano).
O caso Beraja
Congregando 140 instituições judaicas, a DAIA tinha escritórios no prédio da AMIA, na Avenida Pasteur, 633. Fundada em 1935, é a organização representativa da comunidade judaica no país. Entre 1991 e 1998, Rubén Beraja comandou a organização e foi durante um de seus mandatos que ocorreu o atentado à AMIA.  
Dono e ex-presidente do falido Banco Mayo, ele foi processado pela Justiça por administração fraudulenta contra a administração pública, no caso o Banco Central argentino. Também foi processado, junto com o ex-juiz federal Galeano, de participação de uma oferta de 400 mil dólares a Carlos Alberto Telleldín – o mecânico que teria preparado a van usada para explodir o edifício – para desviar o rumo das investigações com falsas informações. Beraja, de 77 anos, sempre negou todas as acusações, inclusive a de que mantinha uma estreita relação de amizade com o ex-presidente Carlos Menem.
Em 2015, a ex-mulher de Carlos Telleldín confirmou diante de um tribunal federal que recebeu em 1996, em nome do marido, os 400 mil dólares do governo de Menem para envolver policiais da província de Buenos Aires no atentado. Disse, ainda, que foi ameaçada para não quebrar o pacto. Ano passado, Galeano defendeu o citado pagamento afirmando, em juízo, que o objetivo não era obter uma declaração falsa, mas obter informações verdadeiras.
Por seu lado, Telleldín, que ficou detido de 1994 a 2004, assegura que não se arrepende de ter recebido o dinheiro, porque, segundo ele, foi uma estratégia para demonstrar que o caso era uma farsa. Ele e mais 22 suspeitos de integrarem a “conexão local” foram absolvidos por um tribunal federal em 2004.
Outras motivações
Editor da revista judaica independente “La Voz Y la Opinión”, Daniel Schnitman tem uma visão diferente a respeito do que motivou o atentado.
Em sua opinião, a bomba não visava a AMIA, que é uma instituição assistencial, que ajuda as pessoas. O alvo seria a DAIA, a representação política da comunidade judaica, presidida por Beraja, então presidente da Federação dos Bancos Cooperativos e dono do Banco Mayo. “Puseram a bomba contra a DAIA por seus negócios escusos vinculados à lavagem de dinheiro”, afirma. “E houve um interesse natural da comunidade de encobrir e afastar Bereja do palco do atentado”, sustenta o jornalista.
Outra especulação apresentada logo após o atentado envolveria neonazistas argentinos insatisfeitos com a abertura dos arquivos policiais sobre os criminosos nazistas que se refugiaram no país depois da 2ª Guerra Mundial. Semanalmente, às segundas, um grupo de pesquisadores se reunia no prédio da AMIA para analisar os documentos, sob os auspícios do “Project Witness” (Projeto Testemunho), uma organização voltada para a memória do Holocausto, com sede no Brooklyn.
Um de seus integrantes, o escritor e sociólogo Carlos Escude, conta que naquela fatídica segunda-feira o grupo decidiu não trabalhar em função das férias escolares. “A bomba estava pronta para explodir justamente no dia em que o grupo se reunia, afirma Escude. O material também não foi destruído porque era guardado no escritório de um prédio adjacente.
Atualmente, Carlos Escude é diretor do “Centro de Estudios de Religión, Estado y Sociedad – CERES”, ligado ao Seminario Rabínico Latinoamericano 'Marshall T. Meyer'. 
Revelações de um ex-espião
Chefe de operações do Serviço de Inteligência do Estado (SIDE, na sigla em espanhol) por mais de quatro décadas, Antonio "Jaime" Stiuso fugiu para os Estados Unidos, em fevereiro de 2015, semanas depois do assassinato de Nisman. Ele tinha sido exonerado do cargo por Cristina Kirchner, em dezembro de 2014, e era um dos principais informantes nas investigações de Nisman sobre a AMIA e o acordo Irã-Argentina. Sentindo-se ameaçado, ele deixou o país, via Porte Alegre, e pediu asilo nos EUA.
Desde fevereiro de 2016, com um novo governo na Argentina (Mauricio Macri assumiu em 10 de dezembro de 2015), Stiuso já retornou ao país algumas vezes para prestar depoimentos. Em suas entrevistas ao La Nacion e ao Clarín, ele tem afirmado que o governo de Cristina mandou matar Nisman pelas provas que o promotor vinha apresentando à Justiça de que o governo pactuou com o Irã a impunidade dos culpados. Revelou que os Kirchner, tanto Cristina como seu marido Néstor – que foi presidente de 2003 a 2007 – mantinham um aparelhamento paralelo de inteligência para espionar a oposição.
Com a morte de Nisman, a presidente resolveu extinguir o SIDE que era comandado por Stiuso e criar a Agência de Inteligência Federal (AFI), com a aprovação do Congresso. A alegação foi de que o órgão estava municiando Nisman de informações falsas.
Documentário via Internet
No início de outubro de 2015, oito meses depois da morte de Nisman, um documentário de 77 minutos dirigido pelo americano Matthew Taylor, produtor de filmes para TV, estreou em Washington, no Newseum (museu dedicado ao Jornalismo), e simultaneamente na Internet.
O filme “Los Abandonados” conta detalhes das investigações sobre o atentado ao prédio da AMIA, as falhas nos processos ao longo de sucessivos governos, as implicações com o governo do Irã, a denúncia de Nisman e seu assassinato. Apresenta depoimentos de jornalistas, políticos, peritos, juízes, procuradores e ex-integrantes do serviço de Inteligência.
Um dos entrevistados, o jornalista Hugo Alconada Mon, do jornal La Nacion, afirma que o promotor foi vítima de uma “fatwa”, uma ordem de Teerã para matá-lo, à medida que avançava na investigação sobre a conexão iraniana.
Na época do seu lançamento, membros do governo da presidenta Cristina Kirchner acusaram Taylor de estar ligado à direita americana (ele realizou campanhas para o Partido Republicano) e ter seu filme financiado por fundos abutres (empresas especializadas em comprar títulos de créditos vencidos).
O chanceler Héctor Timerman também chamou os participantes do filme de cúmplices de “holdouts” (especuladores financeiros). Atualmente, padecendo de um câncer, Timerman obteve uma licença humanitária e viajou no início de março para realizar um tratamento experimental nos EUA.
Mas, enquanto o mistério sobre a morte de Nisman permanece longe de um desfecho, o enredo de um atentado, suas ramificações internacionais, repercussões políticas e conseqüências pessoais estão na mira da  gigante Netflix, com mais de 100 milhões de assinantes.
A produtora americana já prepara, para 2018, uma minissérie que pretende refazer os últimos dias do promotor, misturando realidade e ficção. Sob a direção do inglês Justin Webster, as filmagens já começaram em fevereiro na capital argentina.

Em tempo: Carlos Menem presidiu a Argentina de 1989 a 1999. Cristina Kirchner, de 2007 a 2015.



quinta-feira, 15 de março de 2018

Das fake news às falsas histórias


Por Sheila Sacks                        

Publicado no "Observatório da Imprensa" 


Se as fake news (notícias falsas) são um fenômeno recente, as fake histories (histórias falsas) se perdem no tempo. Isso porque de todas as ciências humanas, a história é a mais indefinida em seus intentos, a mais limitada em seus meios, aquela que menos admite métodos rigorosos e a que tem mais dificuldade em superar seus erros e enganos.

A frase do historiador Pierre Daunou tem mais de 200 anos e reflete séculos de narrações tidas como verdadeiras, mas que efetivamente não passam de versões mentirosas dos fatos, falsos testemunhos, documentos forjados e criações históricas.

A história em xeque

Sobre essa coleção de erros humanos em que se apoia a historiografia, o historiador François Dosse, autor de “História em Migalhas”, reconhece que a história ainda é frequentemente considerada fonte de corrupção. “As mentiras são mais fascinantes do que a verdade”, dizia Umberto Eco. “E nem todas as verdades são para todos os ouvidos”. Para o escritor italiano, “os jornais mentem, os historiadores mentem, a televisão hoje mente”.

Também George Orwell, autor de “1984” e “A Revolução dos Bichos”, era um cético em relação à ciência histórica. Considerava que “em tempos de embustes universais, falar a verdade é um ato revolucionário”.

Mas, em se tratando de um historiador, a busca pela verdade deve ser a sua primeira e única obrigação. Isso porque a partir de suas narrativas, indivíduos e povos poderão ser assolados por vicissitudes e barbáries, “igualmente cometidas pelos brutos e pelos civilizados, ignorantes e instruídos, cínicos e devotos, egoístas e heróicos”. Vasculhar os escaninhos da história e não se render às narrativas oficiais já é uma forma de combater esse tipo de mazela milenar.

Caso Dreyfus

O caso do capitão Dreyfus, ocorrido em 1894, é emblemático. Envolvido em uma trama que o levou à prisão e a ser expulso das Forças Armadas francesas, o militar foi vítima de uma fake history que arruinou a sua vida pessoal e profissional.

Acusado de espionagem a favor da Alemanha, ele foi julgado sumariamente por alta traição e condenado ao degredo perpétuo na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. Anos depois, comprovou-se que as provas secretas contra  Dreyfus eram um embuste. Ele recebeu o indulto em 1899, mas somente em 1906 o julgamento espúrio foi cancelado.

Entretanto, se passou um século para que sua inocência fosse oficialmente reconhecida pelo exército da França. Isso se deu em 1995, quando o general Jean-Louis Mourrut, chefe do “Service Historique de l`Armée de Terre” (atual ‘Service historique de la Défense’ – SHD) classificou, publicamente, o caso Dreyfus  de “uma conspiração militar, fundada parcialmente em documento falso que resultou na deportação de um homem inocente”.

O falso como verdadeiro

Com o intuito de mostrar os procedimentos ardilosos de pessoas sem escrúpulos que movidas pelo ódio e ambições políticas inventam mentiras e as transformam em supostas verdades, Umberto Eco escreveu “O Cemitério de Praga”, publicado em 2010.

Tendo como base fatos e personagens verídicos que participaram da elaboração e da disseminação de “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, o autor reconstrói o século 19 através de uma narração polêmica, que recebeu críticas do Vaticano e do rabinato de Roma.

Eco narra o nascimento e a evolução desse abjeto complô, criado com a finalidade de atribuir aos judeus uma fictícia conspiração para dominar o mundo. 

Os falsos documentos forjados pela polícia secreta do Czar Nicolau II, em 1897, foram utilizados por Hitler em sua política de extermínio, incluindo-os em “Mein Kampf”, apesar de o jornal  britânico The Times, em 1921, já ter desmascarado a farsa.

Ainda assim, o magnata Henry Ford levou os Protocolos, na tradução inglesa, para os EUA, publicando-os em forma de livro. Por sua vez, o rei Faisal, da Arábia Saudita, costumava oferecer os Protocolos, em sua versão árabe, às autoridades que visitavam o país.

Em uma de suas entrevistas aos jornais italianos, Umberto Eco ressaltou o perigo que se esconde nas chamadas “conspirações falsas”, pelo seu alto grau de manipulação e dada à dificuldade em desmenti-las. ”A característica de uma conspiração verdadeira é que ela é invariavelmente descoberta”, analisa. “Hitler e o nazismo propagaram a falsa conspiração dos judeus como verdadeira e tiraram proveito dos Protocolos.”

O poder da mentira

Mas, por que as pessoas ainda consomem essa farsa? Será por ignorância? Por curiosidade? Os Protocolos, afinal, seguem sendo oferecidos e vendidos em uma dezena de idiomas, em formato de livro, com circulação livre na internet.

Juíza em Israel por mais de 30 anos, Hadassa Ben-Itto investigou o embuste durante seis anos e em 1998 publicou “A Força da Mentira”, traduzido para o português no ano passado. “Escrevi esse livro como um desafio a todos aqueles que inadvertidamente permitem que essa e outras mentiras similares sejam espalhadas e provoquem danos contínuos”, explica.

Em sua opinião o conceito de “liberdade de expressão” não deveria acobertar mentiras. “Uma mentira deliberada não é uma ideia”, reforça. “Ela pode facilmente se transformar em uma arma perigosa e como tal deve ser banida, assim como outras armas que têm o potencial de causar assassínios em massa e destruição.”

Uma perspectiva diferente daquela defendida pela filósofa Hannah Arendt que questionava o fato de estudiosos do tema centrarem o foco, basicamente, no processo de falsificação. Na sua percepção, o mais importante, nos tempos atuais, seria descobrir o porquê do reiterado interesse das pessoas por uma declarada mentira, já devidamente desmistificada, cujo poder de perenidade surpreende e assusta. 

quinta-feira, 8 de março de 2018

Will Eisner, o mago das HQs

por Sheila Sacks

Cartunista introduziu temas judaicos nas histórias em quadrinhos

Anualmente, no mês de março, os aficionados de histórias em quadrinhos comemoram uma data muito especial: o nascimento de um dos mais importantes cartunistas de todos os tempos, autor do justiceiro mascarado "The Spirit", herói das HQs dos anos 1940.

Nova-iorquino do Brooklyn, o genial Will Eisner nasceu em 6 de março de 1917 e deu vida ao investigador da polícia Denny Colt e a imaginária "Central City", transportados de maneira magistral para as telas dos cinemas, em 2008, pelo também desenhista e cineasta Frank Miller.


Inovação nas HQs

Com sua arte e força criativas, Eisner tinha pouco mais de vinte anos quando embarcou nessa extraordinária aventura onde o talento de desenhista e a imaginação literária se uniram para moldar um dos personagens mais instigantes das HQs.

Transitando pela lendária Central City, a cidade dos sonhos, desilusões, dramas, crimes e situações bizarras, o estranho policial surge das trevas da morte para combater o mal e não dar trégua aos bandidos.

Em um universo noir de jogos de sombras, ângulos insólitos e planos incomuns, Denny Colt, julgado morto, renasce em sua fúria e revolta. De terno, gravata, chapéu, luvas e máscara, ele se transforma em "The Spirit", o mocinho diferente, contraditório, sem superpoderes, roído pelas dúvidas e cingido pelo imponderável.

À parte as histórias policiais nada convencionais, "The Spirit" revolucionou os comics utilizando-se de inventivos recursos narrativos, de enquadramentos inesperados de imagens e lançando mão de primeiros planos para destacar um detalhe.

Essa nova linguagem gráfica com perspectivas cênicas de cunho cinematográfico introduzida por Eisner angariou um exército de 5 milhões de ávidos leitores semanais, somente nos Estados Unidos.

As tirinhas, iniciadas em 1940, foram publicadas até 1952, mas seus enredos e ilustrações, utilizando narrativas paralelas e desenhos expressionistas, romperam com as técnicas tradicionais, marcando um novo capítulo no desenvolvimento da arte do cartoon.

Considerado por especialistas do gênero o mestre das histórias em quadrinhos de todos os tempos, William Erwin Eisner era filho de imigrantes judeus muito pobres, e quando criança trabalhava vendendo jornais nas ruas para completar a renda familiar. Foi esse o seu primeiro contato com as histórias em quadrinhos, cujas ilustrações o encantavam e com as quais desenvolveu um profundo amor pelo desenho gráfico.

Já aos oito anos resolveu se dedicar ao desenho, apesar da oposição da mãe. Além do herói Spirit, Eisner também foi o criador de "Sheena, a Rainha da Selva", que virou série de TV (1955) e filme (1984).

Personagens judeus de Nova York

Mas, apesar do enorme sucesso obtido com a série "The Spirit", Will Eisner resolve dar uma guinada em sua vida e em sua arte, surpreendendo fãs e seguidores.

Depois de realizar trabalhos de propaganda e de publicidade, e também trabalhar na adaptação para as HQs de obras clássicas, como "Don Quixote" e "Moby Dick", ele edita, em 1978, uma publicação ilustrada, com temas sérios e para leitores adultos, classificada pelo próprio autor de "graphic novel" (histórias longas, impressas em papel especial e publicadas em formato de álbum).

A novidade provoca uma reviravolta no mundo dos comics. O trabalho “Contrato Com Deus e Outras Histórias” mostra a vida de pessoas comuns e fala dos dramas do dia a dia de sua Nova York natal.

Sem limitação de páginas, com temática e desenho livres de qualquer formatação, os romances gráficos se tornam populares e conquistam seguidores entusiastas. As aventuras protagonizadas por heróis são deixadas para trás e os habitantes anônimos da Big Apple – muitos deles imigrantes e judeus como os pais de Eisner – assumem os papéis principais no pincel do artista.

Combinando ficção com histórias reais, Eisner cria relatos intensos e dramáticos, com destaque para a temática judaica.

Os anos passados nos bairros do Brooklyn e do Bronx são retratados em uma série de trabalhos que incluem “O Sonhador”, “O Edifício” e “No Coração da Tempestade”. Este último mostra a sua infância e adolescência.

Segundo Eisner, a linha central dessa graphic novel é o racismo. “O livro se inicia no trem, quando sou convocado para a guerra. Pela janela visualizo cenas que me lembram as histórias pelas quais eu passei, dentre elas minha primeira experiência com o racismo.”

Em 1983, para comemorar os 15 anos da publicação de “Contrato com Deus”, é lançada uma edição especial da obra, em ídiche (língua falada por muitos judeus europeus, assemelhada ao alemão e escrita com caracteres hebraicos).

No Brasil, o universo de Eisner ganha a cena teatral, com as peças “New York”, apresentada em Curitiba (1990), “Pessoas Invisíveis”, produzida no Rio de Janeiro (2002) e “Avenida Dropsie”, exibida em São Paulo (2005). Ainda no Brasil, a produtora Marisa Furtado realiza um documentário sobre Eisner (1999), o primeiro sobre a carreira do artista.

Preconceito e Antissemitismo


Suas duas últimas obras, “Fagin,o Judeu” e “The Plot” (O Complô) abordam temas espinhosos. A primeira é uma revisão histórica de uma figura mal retratada por Charles Dickens, em seu livro "Oliver Twist". A visão estereotipada do personagem serviu para disseminar o preconceito entre os leitores do autor inglês e Eisner apresenta a sua visão sobre o assunto.

A segunda trata da verdadeira origem de um documento forjado por autoridades russas, em 1903, conhecido como “Os Protocolos dos Sábios de Sião”.

A farsa foi descoberta em 1921 e revelou que o texto dos Protocolos foi extraído de uma sátira política francesa escrita por Maurice Joly, em 1864, intitulada “O Diálogo no Inferno”. O texto descrevia uma fictícia discussão de Maquiavel e Montesquieu para um plano de conquista por Napoleão III, cujo nome foi substituído por “os judeus”.

“The Plot” foi lançado nos Estados Unidos em maio de 2005, alguns meses depois do falecimento de Eisner.  O escritor italiano Umberto Eco escreveu  o prefácio. No Brasil, a editora paulista Companhia das Letras publicou, em novembro de 2006, a versão brasileira da obra.

Em entrevista ao “New York Times”, em 2004, Eisner falou do trabalho: “Acabo de concluir e estou editando uma novela gráfica de caráter polêmico. Trata-se da verdadeira história da origem de uma das maiores e mais infames fraudes do mundo, "os Protocolos de Sião”.

Justificando seu interesse pelo tema, Eisner contou que buscou no passado uma forma de enfocar o antissemitismo que continua sendo uma questão atual. “Eu estava na Internet e descobri uma página promovendo 'os Protocolos' para leitores do Oriente Médio. Fiquei chocado em descobrir que muita gente ainda acredita que a história é real e fiquei perturbado quando vi a quantidade de sites que divulgam essas mentiras para os muçulmanos. Concluí que algo precisava ser feito.”

Leonardo da Vinci dos Quadrinhos

Will Eisner tinha 87 anos quando faleceu em 3 de janeiro de 2005. Pioneiro dos comics de adultos e criador do termo “arte sequencial” que deu novo status ao gênero, ele deixou seguidores respeitados, como o autor e desenhista Frank Miller, que dirigiu os filmes “Batman, o Cavaleiro das Trevas” e “Sin City”, e Alan Moore, criador de Watchmen, levado às telas em 2009.

Considerado o Leonardo da Vinci dos quadrinhos pela revista “Civilization”, editada pelo Congresso americano, o artista emprestou o seu nome para o mais importante prêmio de quadrinhos do mundo – o Eisner Award .

No ano de sua morte, o jornal “The Washington Post”, ao descrever a trajetória do cartunista, sublinhou que Eisner fez da luta contra a intolerância uma forma de arte.

Aqui no Brasil, Maurício de Souza, criador dos personagens Mônica e Cebolinha, também lamentou a perda de Eisner, que esteve várias vezes no Brasil : “Foi como se eu tivesse perdido outro pai. Ele era o meu ídolo, o meu guru”, afirmou.

A genialidade da arte de Eisner – que jamais excluiu a sua identidade judaica no decorrer da vida profissional e que não a manteve restrita às fronteiras tribais dos fãs dos comics - também foi devidamente reconhecida pela prestigiada “Nacional Foundation for Jewish Culture”, instituição americana fundada em 1960 para promover e preservar a cultura judaica.

Em 2002, a entidade outorgou ao artista o prêmio máximo pelo conjunto de sua obra.

(Escrito originalmente em 2012)


sexta-feira, 2 de março de 2018

Restos mortais de israelenses nas mãos do Hamas


Por Sheila Sacks
A celebração anual em memória aos soldados mortos em defesa da pátria e às vítimas de atos terroristas –  o Yom Hazikaron – que este ano vai ocorrer após o anoitecer de 17 de abril e durante o  dia 18, feriado nacional, provavelmente ainda terá um componente dramático que se arrasta há quase quatro anos: o sequestro dos restos mortais de dois militares israelenses, pelo Hamas, em desprezo às Convenções de Genebra de 1949 (artigos 16 e 17), e aos protocolos do Direito Internacional Humanitário (DIH).
O tenente Hadar Goldin, de 23 anos, e o sargento Oron Shaul, 20 anos, foram mortos durante o conflito militar em Gaza, em 2014. Desde então, o grupo terrorista mantém os corpos dos soldados em seu poder, não permitindo que suas famílias os enterrem.
Mortes no cessar-fogo
Em 1 de agosto de 2014, menos de duas horas após o cessar-fogo humanitário entre Israel e o Hamas, terroristas do grupo emergiram de um túnel subterrâneo, no sul da Faixa de Gaza, e emboscaram uma unidade militar, matando o tenente Goldin e sequestrando o seu corpo.
Nesta ocorrência também foram mortos o major Benaya Sarel, de 26 anos e o sargento Liel Gidoni, de 20.  Dez dias antes, em 20 de julho, um míssil antitanque disparado pelo Hamas já havia atingido um blindado israelense matando sete soldados. Porém o corpo do sargento Shaul não foi encontrado.
O professor emérito de Direito, Irwin Cotler, ministro da Justiça do Canadá, de 2003 a 2006 e membro do Parlamento canadense por 16 anos (1999-2015), lembra que parte das responsabilidades da ONU é justamente garantir que as regras do Direito Internacional sejam cumpridas.

Renomado especialista de Direitos Humanos, Cotler afirma que desde o início o Hamas desconsiderou as Convenções de Genebra a partir da violação do cessar-fogo. Nos anos subsequentes, ignorou os princípios básicos do direito internacional humanitário, não fornecendo informações sobre o satuts dos soldados mortos ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha e não devolvendo os restos mortais as suas famílias.

Em dezembro de 2017, os pais do tenente Goldin estiveram no Conselho de Segurança da ONU em uma sessão dedicada à questão. Eles apelaram para que o órgão se mobilizasse com ações concretas para pressionar o Hamas, denunciando que o filho morreu durante um cessar-fogo patrocinado pela ONU.

Em sua campanha para trazer os restos mortais do filho, Leah Goldin contou também que o irmão gêmeo de Hadar, durante a guerra de Gaza, foi responsável pelo resgate de soldados feridos e mortos, salvando igualmente palestinos apanhados no fogo cruzado. “Enquanto nosso filho Tzur salvava famílias palestinas, nosso outro filho, Hadar, era morto e seus restos mortais sequestrados”, lamenta.

Túnel custa 5,9 milhões de dólares

Em janeiro deste ano, os pais dos militares mortos se encontraram com o enviado americano do governo Trump à região, Jason Greenblatt, que criticou o Hamas por reter os restos mortais dos israelenses.

Em visita a um túnel escavado sob a fronteira de Gaza, ele revelou que o Hamas gasta 5,9 milhões de dólares na construção de um único túnel de terror e cerca de 30 mil dólares por dia em receita perdida quando o túnel é fechado. “O Irã fornece anualmente ao Hamas 100 milhões de dólares e o Hamas derrama esse dinheiro na violência e no ódio, ao invés de melhorar a vida da população de Gaza”.

Greenblatt também acusou o Irã de patrocinar o terror contra Israel injetando recursos da ordem de 1 bilhão de dólares anuais no Líbano e Cisjordânia, além de Gaza. “Um dinheiro sujo de sangue que só aumenta a violência e não melhora a vida do povo palestino.”

Em junho do ano passado, Greenblatt, que é o representante especial dos EUA para negociações internacionais, já havia se encontrado com os pais dos militares em Israel e emitido um comunicado manifestando a sua indignação com a recusa do Hamas em devolver os corpos dos israelenses e seu apoio na luta das famílias para resolver o impasse.

O conflito em Gaza (‘Operação Margem Protetora’) teve início em 8 de julho de 2014, impulsionado pelo sequestro e assassinato de três adolescentes israelenses, ocorrido em 12 de junho. A operação durou 51 dias e se encerrou em 26 de agosto. Sessenta e sete soldados morreram nos confrontos.

Fontes:
Jerusalem Post – “Where is world outrage over Hadar Goldin and Oron Shaul?” (Richard Kemp, Jim Molan, Arsen Ostrovsky), em 30.04.2017
The Media Line – “The legal and moral battle to bring home Hadar Goldin and Oron Shaul” (Charles Bybelezer), em 28.01.2018.
Jerusalem Post – “Greenblatt slams Hamas use of Iranian ‘blood mone’ for terror” (Eitan Halon), em 05.02.2018